Tendência de moda praia é um termo estranho quando você está com os pés na areia. Ninguém pensa "estou usando o recorte assimétrico do verão" enquanto espera a caipirinha no quiosque. Mesmo assim, padrões aparecem — nas feiras de Fortaleza, nas barracas de Trancoso, nas vitrines de Ipanema e nos provadores de lojas online que despacham de Santa Catarina para todo o país. Passamos seis semanas observando o que as mulheres estão vestindo e o que as lojas estão repostando. Este é o retrato, imperfeito e vivo, do verão 2026.
Paleta terrosa e o fim do neon forçado
Depois de alguns verões com cores muito saturadas e contrastes agressivos, a paleta deste ano parece mais calma. Areia, caramelo, terracota suave, verde oliva desbotado e azuis acinzentados — cores que conversam com o cenário natural em vez de competir com ele. Não significa que estampas vibrantes sumiram; significa que elas dividem espaço com uma base neutra que as mulheres estão usando como fundo do guarda-roupa de praia.
Em Jericoacoara e em Ubatuba vimos muitos maiôs lisos nesses tons. A vantagem prática é óbvia: combinam com canga, chapéu e sandália sem exigir nova compra a cada viagem. A vantagem estética é que fotografam bem sem parecer que você se vestiu para o editorial de uma marca.
Maiô esportivo deixa de ser nicho
O maiô com alças largas, perna mais fechada e tecido de sustentação cresceu além do público de surf e stand-up paddle. Mulheres que simplesmente querem entrar na água sem reajustar a peça a cada onda adotaram modelos que antes eram categorizados como "esportivos". Marcas brasileiras que já atendiam atletas ampliaram grade e cores; marcas de moda tradicional incorporaram versões híbridas — bonitas o suficiente para foto, funcionais o suficiente para mergulho.
O detalhe que mais se repete é a costura reforçada nas alças e a altura da perna: nem tão alta como o retrô dos anos 50, nem tão baixa como o corte brasileiro clássico. Um meio-termo que funciona em corpos diversos.
Recortes assimétricos — com moderação
Recortes na cintura, alças de um lado só, aberturas laterais assimétricas: tudo isso continua presente, mas com menos exagero do que em 2024. O que funciona na passarela nem sempre funciona quando você se senta na cadeira de plástico do quiosque. As peças que estão vendendo mais são aquelas em que o recorte é visual, não estrutural — ou seja, não compromete o conforto.
Observamos também um interesse renovado em costas trabalhadas: tiras cruzadas, amarrações que lembram vestidos, costas nuas com alça fina central. São detalhes que aparecem quando a pessoa se afasta da água — e que fazem diferença para quem gosta de estética sem abrir mão de sustentação.
Retrô discreto, não fantasia
O maiô retrô voltou, mas não como cópia de arquivo. Bojos suaves, perna um pouco mais coberta, cintura marcada — sem chegar ao efeito "pin-up de convenção". É um retrô adaptado ao corpo real e ao sol real. Em feiras de moda praia do Ceará, esse modelo aparecia tanto em tecidos estampados quanto em lisos terrosos, o que confirma que a tendência saiu do nicho vintage.
Tecido com proteção UV e sustentabilidade declarada
Mais etiquetas mencionam proteção UV e fibras recicladas. Nem sempre é fácil verificar as afirmações, mas a demanda existe: mulheres que passam o dia inteiro na praia querem tecido que proteja e que não desintegre após um verão. Marcas menores, especialmente do Sul e do Nordeste, estão usando isso como diferencial honesto — com composição impressa na etiqueta e não só no marketing.
O que não é tendência — e tudo bem
Biquínis continuam absolutamente presentes. O maiô não substituiu nada; apenas ocupou mais espaço no guarda-roupa. Sungas masculinas, moda de rua e acessórios de praia seguem seus próprios ritmos. Não há monotendência — e isso é bom para quem escreve sobre moda praia feminina sem querer reduzir tudo a uma única peça obrigatória.
Se você está montando o verão deste ano, nossa sugestão editorial — não comercial — é escolher uma peça neutra de base e uma peça com personalidade. O resto você provavelmente já tem na gaveta. Tendência passa; caimento e conforto ficam.
Comprar maiô online no Brasil ainda é loteria de tamanho. Juliana Freitas mediu cinco marcas diferentes com a mesma etiqueta M — cinco caimentos distintos.
Dica que se repetiu nas entrevistas: ler avaliação de quem tem biotipo parecido, não só nota geral.